A 38ª edição da Corrida Cidade de Aracaju, promovida pelo Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria da Juventude e do Esporte (Sejesp), contará, mais uma vez, com expressiva participação de pessoas com deficiência, para as quais se destina uma categoria específica da competição.
A categoria Pessoas com Deficiência (PcD) é voltada a participantes que se enquadrem em uma das seguintes deficiências: intelectual leve, auditivo, físico (membros superiores amputados e não amputados), físico (membros inferiores não amputados), físico (membros inferiores – cadeirante), visual (perda total – cego) e baixa visão. Para concorrer nesta categoria, os participantes, obrigatoriamente, deverão correr apenas 5 km. Todavia, se o atleta deseja completar o percurso de 10 km ou 24 km e avaliar que está em condições, é permitido, mas já não concorrerá na categoria de pessoas com deficiência.
Faltando poucos dias para a prova, muitos já estão treinando a todo vapor e esperam, mais uma vez, superar seus limites. É o caso de Ana Cláudia dos Santos, de 48 anos, que é deficiente auditiva. Ela conta que iniciou a prática esportiva para participar da Corrida Cidade de Aracaju, e que esta será a sua quarta participação. Hoje Ana Cláudia treina duas vezes por semana com outras mulheres, através do grupo San’s Maravilhas, e em outros dias sozinha, mas com supervisão. Além disso, ela também faz exercícios na academia.
Ana Cláudia revela que por duas vezes chegou ao pódio, mas que nessas ocasiões ela não estava presente para receber o prêmio, pois nem imaginava em que colocação havia chegado. ”Gosto muito dessa corrida que agrada a muitas pessoas, principalmente aquelas que possuem alguma deficiência. Essa inclusão é muito gratificante. A Corrida Cidade de Aracaju traz benefícios em torno de toda a cidade, e incentiva todos a praticar esportes. Ela promove a mudança na vida de muita gente que antes estava sedentária”, conta.

Ana Cláudia | Foto: Michel de Oliveira
Incentivo familiar
O estudante José Edvan Rodrigues Santana, de 19 anos, também vai participar da Corrida Cidade de Aracaju. Com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele contará com uma grande incentivadora: a mãe, Sandra Regina Rodrigues de Azevedo Santana, que é servidora terceirizada da Secretaria Municipal da Fazenda. Aos 54 anos, ela é corredora profissional há muito tempo e já participou da Corrida de São Silvestre, em São Paulo (SP), e a Meia Maratona do Rio de Janeiro (RJ), entre outras competições em todo o Brasil.
Desta vez ela está levando o filho para incentivá-lo, pois acredita que isso vai ser muito bom para ele. “Essa participação dele será muito benéfica. A médica disse que a prática do esporte é muito boa para que ele possa gastar energia, já que é hiperativo. Isso vai ajudá-lo a ficar mais calmo. Fazer esporte é muito bom porque a gente adquire mais saúde e conhece mais pessoas, tanto de Sergipe, quanto de fora. A prefeitura sempre incentiva os atletas e isso ajuda também a divulgar mais a nossa cidade. É uma emoção muito grande participar junto com meu filho. Essa corrida vai ajudar ele a conhecer e conviver com outros tipos de pessoas”, diz ela, que treina todos os finais de semana na Orla da Atalaia junto com o jovem.


Sandra Regina e José Edvan | Foto: Michel de Oliveira
Sandra Regina conta que começou a correr depois de uma aposta feita pelas amigas, em 1998. Em 2002, ela correu os 10 km e foi a sétima colocada no ranking geral e primeira colocada na categoria sergipana. Após o período da pandemia da covid-19, no ano de 2022, ela retomou a participação na Corrida Cidade de Aracaju, correndo os 10 km. Neste ano de 2023, ela voltará novamente, desta vez nos 5 km, junto com o filho.
“Esse ano eu quero fazer uma boa prova ao lado do meu filho e me destacar com ele. Acredito que será muito bom para ele se desenvolver mais também no lado social e da comunicação, conta”. José Edvan tem um sonho em entrar para a faculdade de Teatro e diz estar ansioso para o dia da corrida. “Estou bem animado, pois é a primeira vez que vou participar, fazendo esse percurso de São Cristóvão até Aracaju, e acredito que será um grande desafio para mim”, revela.
Superando a depressão
A prática da corrida foi fundamental para que dois competidores pudessem superar a depressão. Foi o caso de Andrey Ruan Bispo Santos, de 26 anos, que é militar do Exército Brasileiro. Ele tem deficiência auditiva e intelectual, e vai participar da Corrida Cidade de Aracaju pela terceira vez. No ano de 2018, Andrey teve um tumor no cérebro e ficou entre a vida e a morte. Após a cirurgia, ele se curou e, em 2019, participou da competição pela primeira vez, na categoria Pessoas Com Deficiência. Em 2020, ele participou pela segunda vez e ficou em primeiro lugar.
Andrey treina todos os dias no conjunto Augusto Franco e na Orla da Atalaia, junto com a treinadora, Estefany Santos. Para ele, correr foi o caminho para sair de um momento muito difícil da sua vida. “A corrida para mim foi a cura de uma depressão profunda que eu tive, logo após a minha cirurgia. Eu vi na prática esportiva uma forma de crescimento e melhorar a minha saúde. E a Corrida Cidade de Aracaju é o evento mais importante do ano para os atletas de corrida do nosso estado e para os corredores de fora também. É um evento que tem uma premiação muito boa. Tem corridas que a gente vê um certo descaso com nós, que somos pessoas com deficiência. Mas nesta a gente tem premiação até em dinheiro, o que nos motiva muito mais. É uma forma de inclusão social”, destaca.

Andrey Ruan | Foto: Marcelle Cristinne

Jadson Santos | Foto: Marcelle Cristinne
História semelhante a de Jadson Santos, de 59 anos. Por conta de uma bactéria, ele acabou perdendo a visão do olho direito, mas encontrou na corrida um motivo para não se entregar à tristeza. Ele participa da Corrida Cidade de Aracaju há seis anos. “Depois que adquiri a deficiência, achei o caminho, que era dar continuidade às atividades físicas. Essa inclusão social é muito importante para a gente vencer em nosso dia a dia. Com esse evento, a prefeitura faz um belíssimo trabalho, a cada ano aumenta a quantidade de participantes. Essa inclusão social é muito boa para nós atletas, cada um dentro da sua categoria. A gente se sente muito bem”, afirma.
Jadson conta que tem treinado e pretende dar o máximo de si na prova, tentando obter o seu melhor desempenho. “Esse ano quero me superar. Virão muitos atletas bons de outros estados, de alto nível. A prática da corrida trouxe tudo de bom para a minha vida, e eu superei minha depressão. A cura está no esporte”, reconhece.
Agência Aracaju de Notícias


