Publicação: 26 de setembro de 2025Categorias: Notícias

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Setembro é o mês dedicado à prevenção ao suicídio. No Brasil, o Setembro Amarelo traz à tona uma questão ainda pouco discutida fora do círculo das famílias atípicas: o impacto psicológico das barreiras sociais enfrentadas por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus cuidadores. Segundo o IBGE, são 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com TEA, correspondendo a 1,2% da população com dois anos ou mais. A maior prevalência está em crianças de 5 a 9 anos, com 2,6% diagnosticadas – uma em cada 38 crianças.

A escolarização é um dos principais gargalos. Apesar de 36,9% das pessoas com autismo estarem na escola, a permanência cai bruscamente após o ensino fundamental. Entre os adultos com 25 anos ou mais, 46,1% não concluíram o ensino fundamental, percentual acima da média nacional (35,2%). No mercado de trabalho, o cenário é ainda mais excludente: 85% dos autistas estão fora da força de trabalho, segundo o IBGE. Essa combinação de obstáculos tem reflexos diretos na saúde mental.

Dados internacionais da National Autistic Society indicam que 66% das pessoas autistas já pensaram em suicídio, e 35% planejaram ou tentaram fazê-lo. No Brasil, a pesquisa “Retratos do Autismo”, da Genial Care, aponta que 49% dos autistas já apresentaram comportamentos de autolesão e 7% tentaram tirar a própria vida. Outro ponto que merece atenção é a saúde emocional dos cuidadores de pessoas com autismo.

O estudo “Cuidando de quem cuida”, também realizado pela Genial Care, mostrou que 86% dos cuidadores de crianças com TEA são mães. Entre eles, 68% relatam não ter tempo para si, e 47% das mães relatam sentir culpa pela condição dos filhos – um peso que amplia o desgaste físico e psicológico. A criação de redes de apoio, a capacitação de professores, programas de acolhimento e políticas públicas baseadas nos dados do Censo são passos essenciais para aliviar a sobrecarga e garantir condições mais justas de desenvolvimento.

Fonte: diariopcd.com.br