Segundo o levantamento da ONG Grupo Gay da Bahia, uma pessoa LGBTQIAPN+ foi morta a cada 34 horas no Brasil no ano passado
Em 2025, o Brasil se manteve como o país com maior número de mortes de pessoas LGBTQIAPN+ em todo o mundo. As informações são do relatório anual do Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgadas no último domingo (18).
Segundo a organização, que realiza o levantamento de forma independente há mais de 45 anos, 257 mortes violentas foram registradas no ano passado, das quais 237 foram homicídios e 20, suicídios. O número é 11,7% menor do que o registrado em 2024 (291 casos).
O índice de 2025 representa uma morte LGBTQIAPN+ a cada 34 horas. Em números absolutos, os homens gays (60,7%) representaram a maioria das vítimas, seguidos das mulheres trans e travestis (24,6%). No entanto, a pesquisa destaca que é necessário considerar o percentual populacional de cada grupo.
De acordo com o estudo, mulheres trans e travestis representam uma parcela de um milhão de pessoas dentro da comunidade LGBTQIAPN+, com uma grande diferença para o grupo de gays e lésbicas, que soma 25 milhões. Mesmo em menor número, proporcionalmente, o risco de pessoas travestis e transexuais serem assassinadas é 19 vezes maior do que os demais integrantes da comunidade. A ONG também identificou três casos envolvendo vítimas adolescentes, entre 14 e 16 anos, nos estados de São Paulo e Pernambuco. Outras três vítimas possuíam idades de 69, 70 e 71 anos.
A pesquisa foi realizada com base em informações coletadas na mídia, em pesquisas na internet e em correspondências enviadas à ONG. O GGB destaca que a falta de produção de informações públicas sobre o tema dificulta o enfrentamento à violência contra a população LGBTQIAPN+. “Os dados refletem a omissão e subnotificação crônica do Estado brasileiro, que ainda não implementou sistematicamente o registro de crimes de ódio motivados por LGBTfobia. Portanto, os números aqui apresentados representam apenas a ponta visível de um iceberg de violência estrutural de ódio e sangue”, diz trecho do documento.
Por Verônica Serpa
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