Com produção da Bicycle e assinado pela LOLA, o filme traz estética cinematográfica para provocar a reflexão de como enxergamos (ou não enxergamos) o que é diferente de nós
No ano em que celebra oito décadas de história, a Fundação Dorina Nowill para Cegos lança uma campanha de impacto que foge do óbvio. Criada pela Lola\TBWA e com produção da Bicycle, direção de Jones e co-direção de Wudd, o filme propõe uma inversão de perspectiva, o ponto central não é a deficiência visual em si, mas a incapacidade da sociedade de “enxergar” esses indivíduos como pessoas plenas de desejos e vivências.
Fundada em 1946 pela educadora Dorina de Gouvêa Nowill, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na inclusão de pessoas cegas e com baixa visão no Brasil. E para celebrar, os festejos dos seus 80 anos contam com uma série de ações ao longo do ano, como exposições, reinauguração do Centro de Memória, criação de uma Biblioteca Inclusiva e uma campanha, com filme e materiais de identidade visual comemorativos.
“Celebrar os 80 anos da Fundação Dorina é honrar um legado histórico de emancipação e acesso à leitura, mas é, acima de tudo, abrir as portas para um novo ciclo estratégico. Queremos ampliar o olhar da sociedade sobre a deficiência visual e reforçar que a inclusão passa pelo reconhecimento das diferenças e pela garantia da autonomia plena. Esta campanha é um convite para enxergar além dos estereótipos: pessoas cegas ou com baixa visão estudam, trabalham, amam, consomem cultura e devem ocupar todos os espaços. Mais do que inclusão no papel, buscamos independência e dignidade na prática” , comenta Alexandre Munck, Superintendente Executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
O filme, parte da celebração, apresenta uma série de personagens em situações cotidianas e aspiracionais como um surfista, uma mulher grávida, um escritor, um casal em uma festa e um músico. O objetivo da campanha é mostrar que a pessoa com deficiência visual ocupa a cidade, consome cultura, ama e tem ambições. A invisibilidade retratada não é física, mas social. A campanha é um marco que celebra o legado da Fundação Dorina, trazendo uma provocação necessária para romper barreiras comportamentais e reforçar o objetivo da Instituição de fazer com que a sociedade enxergue a pessoa antes da deficiência, evidenciando que esse público também circula, consome e deseja igualdade, e não condescendência.
Para conferir a densidade e a sensibilidade que o tema exige, o diretor Jones optou por filmar inteiramente em preto e branco. Misturando digital com filme 16mm, o comercial traz uma textura orgânica e uma profundidade que remete ao cinema clássico, “A narrativa busca a humanidade e o preto e branco nos permite uma expressão artística profunda. O filme é sobre o toque, a luz e a presença real desses personagens que, muitas vezes, não são vistos pela sociedade. Não só pessoas com deficiência visual, mas qualquer pessoa diferente, que a sociedade muitas vezes tem dificuldade de enxergar”, afirma o diretor Jones.
Clique aqui e confira o filme.
Fonte: Diário PcD



