Publicação: 27 de agosto de 2026Categorias: Notícias

Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026 mostra expansão do engajamento social no país em 25 anos; fome, pobreza e desigualdade estão entre as principais causas mobilizadoras

Em 25 anos, o voluntariado deixou de ser uma prática restrita a uma parcela da população e passou a fazer parte da trajetória de seis em cada dez brasileiros. É o que revela a Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026, realizada por Silvia Naccache, com aplicação de campo do Instituto Datafolha, que acompanha a evolução do trabalho voluntário no país desde 2001. O levantamento ganha relevância às vésperas do Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, data instituída pela Lei nº 7.352, de 1985.

O percentual de brasileiros com 16 anos ou mais que afirmam já ter realizado alguma atividade voluntária ao longo da vida saltou de 18% em 2001 para 60% em 2026. O crescimento foi especialmente expressivo na última década: o índice passou de 25% em 2011 para 56% em 2021 e chegou a 60% neste ano.

Os números mostram uma mudança importante na relação da sociedade com o engajamento social. O voluntariado, segundo a pesquisa, vem se consolidando não apenas como uma forma de ajudar outras pessoas, mas também como expressão de cidadania, participação social, solidariedade e resposta coletiva aos desafios do país.

“Os dados dos 25 anos mostram que o voluntariado se transformou junto com a própria sociedade brasileira. Hoje, temos uma população mais conectada a diferentes causas e também novas possibilidades de participação. O voluntariado deixou de ser exceção para se tornar uma experiência presente na vida da maioria dos brasileiros”, afirma Silvia Naccache, empreendedora social, especialista em voluntariado e fundadora do GEVE (Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial).

Fome, pobreza e desigualdade lideram as causas

Entre as pessoas que fazem ou já fizeram trabalho voluntário, 50% afirmam ter atuado em ações relacionadas a fome, pobreza e desigualdade, colocando essa área no topo das causas mobilizadoras.
Na sequência aparecem saúde (24%), educação (22%), bem-estar animal (17%), situações emergenciais, desastres naturais ou crises humanitárias (15%) e cultura de paz e bem comum (14%).

Também aparecem entre as áreas de atuação cidadania, inclusão e garantia de direitos (13%), sustentabilidade ambiental e mudanças climáticas (8%) e igualdade de gênero e autonomia das mulheres (8%).

Como cada entrevistado poderia citar mais de uma área de atuação, os percentuais somam mais de 100%: em média, cada voluntário mencionou duas causas, o que indica uma participação mais diversificada e conectada a diferentes demandas sociais.

Emergências também mobilizam a sociedade

A presença de situações emergenciais, desastres naturais e crises humanitárias entre as principais áreas de atuação chama atenção em um cenário marcado por episódios de grande mobilização social.

Campanhas de arrecadação, ações de apoio a comunidades afetadas por eventos climáticos e iniciativas organizadas por empresas, organizações sociais e grupos de voluntários passaram a fazer parte do cotidiano de muitos brasileiros.

Para Silvia Naccache, esse movimento também pode contribuir para aproximar pessoas que nunca haviam participado de iniciativas voluntárias.

“Momentos de crise muitas vezes despertam o desejo de ajudar e mostram, na prática, que cada pessoa pode contribuir. O desafio é transformar essa mobilização pontual em uma cultura permanente de participação e cidadania”, explica.

Voluntariado corporativo ganha espaço

A evolução do voluntariado também acompanha mudanças no ambiente empresarial. Programas de voluntariado corporativo passaram a integrar estratégias de engajamento de colaboradores e iniciativas de responsabilidade social, criando novas oportunidades para que profissionais contribuam com causas de seu interesse.

Para as empresas, o movimento representa também uma oportunidade de aproximar seus colaboradores de questões sociais e estimular competências como colaboração, empatia, liderança e trabalho em equipe.

Nesse cenário, o Dia Nacional do Voluntariado se apresenta como uma oportunidade para organizações ampliarem campanhas, palestras, ações de mobilização e programas internos, ao mesmo tempo em que a data coloca em evidência um fenômeno que vem sendo acompanhado há 25 anos pela pesquisa.

Um retrato de 25 anos

Mais do que um aumento quantitativo, a série histórica da pesquisa aponta para a consolidação do voluntariado como parte da vida social brasileira. Em 2026, três em cada cinco brasileiros com 16 anos ou mais já tiveram alguma experiência voluntária.

“O dado mais simbólico desses 25 anos é perceber que o voluntariado se tornou uma experiência muito mais presente na vida dos brasileiros. Temos hoje uma sociedade que reconhece diferentes formas de participação e que encontra novas maneiras de contribuir para transformar a realidade ao seu redor”, conclui Silvia.

O histórico completo das quatro edições da pesquisa (2001, 2011, 2021 e 2026), com infográficos e dados detalhados de cada ano, está disponível em www.pesquisavoluntariado.org.br.

Sobre a Pesquisa Voluntariado no Brasil

A Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026 dá continuidade a uma série histórica iniciada há 25 anos e acompanha as mudanças no perfil, nas motivações, nas áreas de atuação e nas formas de participação voluntária da população brasileira, contribuindo também para compreender a evolução do voluntariado corporativo e do engajamento social no país.

Ficha Técnica da pesquisa

Realização e coordenação: Silvia Naccache, empreendedora social e especialista em voluntariado, fundadora do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial.
Execução: Instituto Datafolha
Gestão financeira do projeto: CIEDS e Instituto Filantropia
Apoio: Vale, Ambev, Fundação Cargill e GEVE