Em reunião realizada no Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitaram à Secretaria Estadual de Saúde (SES) mais precisão no registro e divulgação dos dados relacionados a raça e etnia dos pacientes de Covid-19 em Sergipe. Os Ministérios Públicos apontaram que quase 60% dos registros em Sergipe indicam que essa informação é “ignorada”, ou seja, não foi adequadamente preenchida.

O MPF abriu um procedimento administrativo para acompanhar a questão, após denúncia do Fórum de Entidades Negras de Sergipe. O registro dos marcadores étnico-raciais é fundamental para a análise dos impactos da pandemia sobre a população de pretos, pardos e indígenas e para a implantação de políticas públicas que levem em conta o impacto étnico-racial da Covid-19.

No boletim divulgado pelo governo do estado em 16 de julho, 58,6% dos casos são registrados como “raça/cor ignorada”, seguido de 21,1% de pardos. Constam, ainda, 10,7% de amarelos, 7,5% de brancos e 2,1% de pessoas pretas. Ainda segundo o boletim, foram notificados 18 casos referentes a indígenas, o que não chega a alcançar um percentual registrável (0,0%).

Para os Ministérios Públicos, os dados étnico-raciais coletados sobre a Covid-19 no Estado não guardam correspondência com o último censo divulgado pelo IBGE, o que indica a necessidade de aperfeiçoar o preenchimento das notificações compulsórias da doença, tanto pelas entidades públicas, como pelas privadas, sempre precedida da coleta da autodeclaração do paciente, quando isso se mostrar possível.