Automatismo. Penso que esta palavra define muitas de nossas ações no dia-a-dia. Algo do tipo: um alongamento ao acordar, uma prece, “bons-dias”, banheiro/whatsapp/notícias, banho, café da manhã, crianças na escola, trabalho, mais “bons dias”, trabalho, almoço, trabalho, “boas-tardes”, trabalho, buscar filhos na escola/banca/esporte/dentista e outros, padaria, casa, banheiro/whatsapp/notícias, atividade esportiva, jantar, arrumações para o dia seguinte, “boas- noites”, prece e cama.

Em meio a tudo isso a gente luta para sentir as pessoas, ouvir, amar, contar uma história aos filhos sentindo-se no momento, vivendo por assim dizer (sem pensar em nada, sem pressa), para cuidar do animalzinho de estimação com amor, das plantinhas do jardim, de olhar o sol, a lua, as nuvens, sentir o vento, sentir uma presença Superior ao longo do dia, de observar a intuição, de perguntar a alguém “você tá legal?”, de separar o lixo para reciclagem… Parece muita informação a ser processada na caixola humana. É muita vida ou muita correria? A vida corre ou andamos devagar?

O gigante minúsculo Covid-19, novo Coronavírus, está fazendo a gente pensar. Que somos de fato? O que Diabo fazemos aqui, meu Deus? Sempre esta falta de paz entre o bem e o mal, como se não pudessem co-existir e até com respeito, quem sabe, somar forças. Daí a gente lembra o que estava esquecido lá no fundo d´alma: “Somos todos iguais e somos um, em qualquer lugar do mundo, uma só raça”. E a vaga lembrança da menina sonhadora que em 2005 fez nascer, juntamente a outros amigos jornalistas e parceiros como o Jornal da Cidade, o ´Inclusão Social – Eu também faço parte´ resgata um texto de fundação da iniciativa que diz: “Cada um de nós tem um lugar no Universo. Cada um ocupa seu espaço, desvenda sua missão, seu objetivo de vir-a-ser e ser. Temos responsabilidades com o todo, não apenas com as partes: crianças, adolescentes, idosos, pessoas em situação de rua, Meio Ambiente, pessoas com deficiência, todos os sexos, todas as raças, todos os povos…”. Sim, ainda acredito nesta verdade e espero sempre acreditar.

O que a China faz embaixo de nós chega aqui, que nem pensávamos quando criança: “Alguém vai cavar aqui com uma pá, o chão que piso, e vai aparecer um chinês dizendo ´olá´ (em chinês, claro)”. Mas é assim em todo canto deste mundão, ou não? O que o Brasil deixa de fazer pela Amazônia, por exemplo, não vai repercutir mundo afora? O modo no qual as grandes economias mundiais ignoram a miséria humana não vai trazer consequências inimagináveis à Humanidade? A falta de cuidado conosco mesmos não é uma irresponsabilidade, no mínimo, com quem está perto de nós?

Penso que chegou o tempo de olharmos para quem desejamos ser a partir de agora e fazermos a diferença neste momento de retorno ao lar, que é uma conquista do coração. O lar íntimo onde ninguém manda, comanda, altera, só nós mesmos. Ainda teremos alguns dias para pensar e processar nossos sentimentos.

Waneska Cipriano, jornalista