Pelo nos 21 memil crianças em Gaza ficaram com deficiências físicas desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023. O dado foi divulgado pelo Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que classificou a situação como sem precedentes diante do agravamento da crise humanitária na região.
Segundo o órgão, quase dois anos após o início do conflito, foram registrados cerca de 40,5 mil novos casos de ferimentos relacionados à guerra. A realidade atinge especialmente crianças e civis deslocados à força pelas operações militares israelenses, que se somam a uma população já exausta e traumatizada por anos de bloqueio.
O especialista do Comitê, Muhannad Salah Al-Azzeh, destacou em audiência que metade das unidades de saúde em Gaza está apenas parcialmente funcional, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele lembrou que, mesmo antes da guerra, os serviços básicos já eram inacessíveis para pessoas com deficiência devido ao bloqueio imposto há mais de duas décadas. “ A situação não tem precedentes para pessoas com deficiência”, afirmou em nota.
Representantes dos Territórios Palestinos e da Cisjordânia participaram das sessões em Genebra, que reuniram autoridades, ativistas e vítimas do conflito. Em paralelo, o Grupo de Gestão de Sítios para o Território Palestino Ocupado expressou profunda preocupação com a escalada da “catástrofe humanitária”. A entidade, que reúne a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa), alertou para as consequências devastadoras da intensificação das operações militares na Cidade de Gaza.
De acordo com o grupo, milhares de famílias enfrentam custos e desafios impossíveis para se deslocar novamente, em especial, idosos e pessoas com deficiência. A falta de espaços seguros e o medo de não conseguir retornar às suas casas também impedem muitos de fugir das zonas de risco.
A ONU alerta que muitas famílias já foram obrigadas a se deslocar repetidas vezes desde o início da ofensiva militar. O medo, a exaustão e a ausência de alternativas seguras limitam as opções da população civil.
Fonte: ONU News


