Publicação: 1 de fevereiro de 2023Categorias: Notícias

Reportagem de Fernanda Queiroz, Jornalista

Cláudia Benito, Rafael Ferreira, pais de Pedro Benito. A família corre contra o tempo para viabilizar a cirurgia e tratamento que custa R$ 50 mil reais

Pedro é sinônimo de luta desde que nasceu. Com apenas 15 dias de vida, o filho de Cláudia Benito e Rafael Ferreira começou a utilizar gesso nas pernas pela primeira vez. Foi o início do tratamento que o bebê teve de ser submetido desde a descoberta na gravidez da doença PTC: Pés Torto Congênito. O caso de Pedro é bilateral, atingindo assim os dois pés.

Desde então, o pequeno faz tratamento ortopédico contínuo e já encarou três cirurgias em várias etapas de sua infância: aos três meses de idade, três anos e aos seis anos de idade. Ainda bebê, aos sete meses, Pedro utilizou a Ortese de Dennis Brown, que perdurou durante mais um ano.

Agora, com 10 anos de idade, a família descobriu que Pedro deve realizar a quarta cirurgia. “Pedro é uma criança de ouro. É uma criança que desejei muito. E eu jamais vou deixá-lo sofrer”, diz a mãe em vídeo emocionado nas redes sociais.

Pedro em sua última sessão de troca de gesso. A clínica particular fica em Ribeirão Preto, 152 km de distância de Catanduva

A criança está na fila de espera do SUS de Catanduva, São Paulo, mas segundo Cláudia, desde 2018 os pacientes não são mais chamados para a realização da cirurgia. Enquanto aguarda a resposta do SUS, para o pequeno campeão não sofrer com as dores causadas pela doença, a família optou por reiniciar o tratamento particular em Ribeirão Preto.

Sem ter condições de pagar pelo alto custo do tratamento e cirurgia no valor de R$ 50 mil, a família de Pedro abriu um financiamento coletivo na internet. A arrecadação online foi lançada no último dia 27 de janeiro e já conta com o apoio de 94 pessoas. Até o fechamento desta matéria, a meta estava em 15%, um total de R$ 7.341,69.

Todo o tratamento, até o momento, tem sido custeado por parentes, amigos e conhecidos. Pedro precisa fazer a troca de gesso e consulta com ortopedista pediátrico periodicamente na clínica que fica a cerca de 152 km de distância da cidade onde mora. O percurso de carro para chegar ao local demora por volta de três horas até o município vizinho, já que Pedro precisa só consegue se locomover de cadeiras de rodas.

A vida de Pedro é de luta dentro e fora dos tatames

Além de enfrentar esta doença desde seu nascimento, Pedro agora tem outras barreiras para enfrentar. O estudante está no 6º ano, com aulas que se iniciaram na última segunda (30), mas não tem obtido apoio escolar.

A mãe, Claúdia, fez visita presencial à escola para explicar a situação de Pedro, mas as respostas não foram satisfatórias. A coordenação pedagógica alega falta de estrutura e profissionais para receber Pedro. “A coordenadora disse para mim que só tem uma inspetora de manhã e outra a tarde, que não tem ninguém para ficar com o Pedro, que as salas estão superlotadas e não tem certeza se tem lugar para colocar uma cadeira de rodas dentro da sala de aula”, relata Cláudia.

Por conta desta situação, a coordenadora indicou que Pedro permaneça em casa e a escola se responsabilizaria por enviar as atividades das disciplinas para o Pedro cumprir a grade curricular. “Eu disse que o Pedro foi para o 6º ano, e eu não sei se conseguiria ensinar ele. Como que nós vamos fazer atividade sem ouvir as explicações em sala de aula?”, lamenta a mãe. Durante todo o tratamento, o médico informou que Pedro não pode ficar sem acompanhamento na escola e disponibilizará atestado para não ser prejudicado.

A luta na vida não apaga o sonho de Pedro de entrar para os tatames do Jiu-Jitsu. Em um vídeo divulgado na rede social, o menino fala abertamente da doença e mostra como está a sua vida hoje em dia. “(…) Eu também queria fazer jiu-jitsu, eu vou fazer jiu-jitsu. Só que, para isso, eu vou precisar sarar né, fazer a cirurgia e tal. (sic) Aí depois que eu terminar a cirurgia, eu vou fazer jiu-jitsu”, afirma o garoto.

Sua desenvoltura em falar da doença também se reflete nos treinos que o lutador mirim fez em casa, antes de reiniciar o tratamento. Desde janeiro de 2022, após abrir perfil em uma rede social, Pedro posta as práticas com saco de luta e com movimentos utilizando as mãos como base.

Em outros vídeos e fotos, o pequeno mostra um pouco dos desenhos que faz, como o do Super Saiyajin da franquia Dragon Ball e da série de mangá, Naruto.

Doações

Para contribuir para a arrecadação online de apoio ao Pedro basta acessar o seguinte link: https://www.vakinha.com.br/3427092. Diretamente pela pesquisa do site, o ID de verificação é: 3427092.

Outras formas de doação são recebidas pelo PIX diretamente na conta bancária de Pedro Benito Ferreira: CPF 455.841.078-67.

PTC – Pés Tortos Congênitos

O pé torto congênito é considerado o defeito congênito ortopédico mais comum e atinge aproximadamente 0,5% da população. No Estado de São Paulo, de 550 mil bebês nascidos em 2020, 2.750 deles têm condição que é mais frequente em meninos – duas vezes mais do que nas meninas – e, em metade dos casos, é bilateral.(*)

(*) Fonte: pequenospassos.org

Fotos e vídeos: Reprodução da internet, autorizado pelos responsáveis.